*Um Homem Precisa Viajar

"Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados."
Miguel Cervantes
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou Tv.
Precisa viajar por si. Com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar
as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa via-
jar para lugares que não conhece para quebar essa arrogância que nos faz ver o mundo como
o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores
do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver"
Amyr Klink do livro Cem Dias entre o Céu e o Mar.
Acredito que essas viagens possibilitem dar mais valor as coisas e as pessoas, a se sentir bem consigo mesmo, a refletir profundamente, a dominar o medo pela razão e a ver belezas incomparáveis.

* O Risco do Conselho



"Ele só adianta quando não contraria o desejo de quem é aconselhado(...)A fantasia resiste aos argumentos e só se transforma quando o próprio sujeito descobre a sua origem"

Betty Milan psicanalista e escritora

Diz o provérbio que, se conselho adiantasse, a gente venderia em vez de dar. Conselho só adianta quando não contraria o desejo de quem é aconselhado. Por isso, no Consultório Sentimental de Veja.com, eu me abstenho de dar conselhos. Limito-me a dar dicas.
O melhor exemplo da ineficácia do conselho está no livro de Cervantes. Tendo como ofício andar pelo mundo combatendo o mal, Dom Quixote o encontra aonde quer que vá. Embora Sancho Pança se valha de argumentos fundados na realidade para convencer o amo de que o mal é imaginário, o fiel escudeiro nada consegue.
Um exemplo disso é o célebre episódio em que, pelo fato de só imaginar batalhas e desafios, o Quixote toma um rebanho de ovelhas por um "copiosíssimo esquadrão". Quando Sancho lhe diz que se trata de uma ilusão, ele exclama: "Pois então não ouves o relinchar dos cavalos, o tocar dos clarins, o rufar dos tambores?". E avança de lança em riste sem dar atenção ao conselho do escudeiro: "Volte, vosmecê... Juro por Deus que são carneiros e ovelhas o que vai atacar".
Nem morto, ou quase morto pelas pedras que os pastores atiram, o Quixote desiste de acreditar que lutou contra um esquadrão inimigo. Alega que, por invejar a sua glória, o Maligno o persegue, faz aparecer e desaparecer as coisas, transformando até um exército num rebanho.
O Quixote é louco, claro, porque não leva em conta a realidade, mas não é por acaso que nós nos reconhecemos nele. Assim é porque privilegiamos o nosso imaginário. Também nós ouvimos sem escutar e enxergamos sem ver para impedir que o nosso desejo seja contrariado.
Segundo Freud, não é possível acabar com uma fantasia mostrando que a realidade é contrária a ela. A fantasia resiste aos argumentos e só se transforma quando o próprio sujeito descobre a sua origem. Daí a razão pela qual a cura analítica se apoia na rememoração. O analista que se vale da realidade para convencer o analisando a abrir mão do que imagina é quixotesco no mau sentido.
Só é possível agir sobre o desejo fazendo outro desejo emergir. Isso é o que faz o analista se o analisando, ao contrário do Quixote, for capaz de escutar. E, mais ainda, se ele for capaz de se escutar. Como isso raramente acontece no começo de uma análise, ambos têm de saber esperar.
Postado por conteudo livre

Fonte: Foto e texto Betty Milan psicanalista e escritora.

Assina a coluna Consultória Sentimental em Veja .com (26 de Maio 2010 pág 159).

http://sergyovitro.blogspot.com/2010/05/betty-milan-o-risco-do-conselho.html

*Papo de Anjo


"Para São Tomás de Aquino, eles semeiam a intuição
entre os homens. Para cada um de nós,são seres
de luz, profissionais da proteção, oásis de conforto
no caos de todo dia.Todas precisamos de anjos,mesmo
que seja para reforçar a fé em nós mesmas."
Paula Taitebaum: revista Claudia Dez/2009


Anjos estão na moda e não é de hoje. A nova cultura pop celestial talvez tenha se disseminado por causa das inseguranças que o mundo moderno nos impõe, da necessidade de consolo em meio ao caos contemporâneo, da internet com seus milhares de links para voce descubrir e orar ara seu anjo ou, quem sabe,simplesmente porque eles são verdadeiros beldades. Não me refiro aos bebês rechonchudos de pequenas asas e harpas. Falo das figuras que foram pintadaspor Paolo veronese, Filippino Lippi, Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci: adolescentes andrógenos de cabelos claros, olhos azuis, pele de pêssego,vestidos brancos e longas asas eretas ou em repouso. há descobertas curiosas que reforçam a noção de que os ajnos podem reunir naturezas antagônicas. Até a época das cruzadas, nos séculos 11 e 12, eles eram chamados de daimones pelos gregos. A Igreja, temersa de que os fiéis confundissem as palavras , já que daimones, além de significar "gênio"ou "ser sobrenatural ".Também estava relacionada a demônos (e a gnomos,duendos, silfos, salamandras,fadas), tratou de dar sumiço em Todos os escritos que relacionavam os anjos a essa expressão .

Por Paula Taitelbaum

Fonte: texto :Revista Claudia, Dezembro 2009 pág 217

foto> Gogle.com .br

* Enigmas do Bocejo



"Um Bocejo é um grito silencioso"

Gilbert Keith Chesterton

Primal, irreprimível e contagiante, o gesto revela a base evolutiva e neural da empatia e do comportamento inconsciente. Aliás, tente ler sem bocejar.

Imagine um bocejo. Você alonga os maxilares, abrindo os lábios escancaradamente, toma fôlego profundo seguido por uma expiração mais curta e termina fechando a boca: ahhh... Você acaba de se juntar aos vertebrados do mundo inteiro num dos rituais mais antigos do reino animal.Os mamíferos e a maioria dos outros vertebrados bocejam: peixes, tartarugas, crocodilos e pássaros. As pessoas começam a bocejar bem cedo - uma evidência de antigas origens. Também chamado de oscitação ou boquejo, o bocejo aparece no fim do primeiro trimestre do desenvolvimento humano pré-natal e é evidente em recém-nascidos. Trata-se de tema de grande riqueza para interessados nos mecanismos neurais do comportamento, já que sua natureza simples e sem variação permite uma descrição rigorosa, primeiro passo para a investigação de mecanismos neurais. Essa aplicação do enfoque de "sistemas simples" diz respeito aos seres humanos que se ocupam de suas atividades normais; não há necessidade de usar bactérias, moscas-das-frutas ou nematóides nas pesquisas. Pode-se aprender muito experimentando em si mesmo e observando o colega Homo sapiens.A esta altura, é possível que o leitor já sinta uma das propriedades mais incríveis do bocejo: seu contágio (ver "Reflexo revelador," Mente&Cérebro, edição 161). A simples leitura ou o pensamento sobre o bocejo pode ser o vetor de uma resposta contagiante. A propagação permite explorar as raízes neurológicas do comportamento social, compreender e estudar expressões faciais, empatia, imitação e a possível patologia dos processos no autismo, esquizofrenia e lesão cerebral.

por Robert R. Provine

Fonte : texto http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/enigmas_do_bocejo.html

foto :www.estradar.com/2008/02/21/bocejo/

* Crenças



"Tudo é possível para aquele que crê."
Ev
angelho de Marcos 9,22"
Todos nós vivemos guiados por um sistema de crenças. E a crença não é apenas algo relacionado a um aspecto religioso. Ela significa tudo aquilo em que acreditamos, principalmente, relacionado ao nosso próprio ser.Os valores morais em que baseamos nossa vida e que nos foram transmitidos inicialmente por nossa família e, depois, pela sociedade, são apenas uma parte de nosso sistema de crenças.A verdade que cultivamos a nosso próprio respeito também é derivada da opinião e do julgamento que recebemos do mundo exterior. A criança que fomos um dia construiu uma auto-imagem que, na maioria das vezes, não corresponde à nossa real natureza.Entretanto, poucos se apercebem disto e seguem exercendo um papel para o qual foram treinados ao longo da vida. Esta discrepância entre o que somos de fato e o que nos convenceram que éramos, é fonte de muito sofrimento.Sair deste labirinto e fazer a viagem de volta ao nosso verdadeiro ser exige de nós, em primeiro lugar, uma atenção permanente para aquilo que se passa em nosso interior.
Os sentimentos são os guias mais eficazes nesta trilha. Sem eles, prosseguiremos perdidos nas ilusões da mente e do ego, que tenta nos convencer a todo custo de que seguir o caminho pré-estabelecido pelos outros é o mais sensato.
Coragem, confiança e um desejo inabalável de reencontrar a fonte original de felicidade, com a qual chegamos ao mundo, são as virtudes que nos levarão, inevitavelmente, ao encontro da divina presença que habita em nós.

* Pascoa





A Páscoa é uma festa cristã que celebra a ressurreição de Jesus Cristo.Depois de morrer na cruz, seu corpo foi colocado em um sepulcro, onde ali permaneceu, até sua ressurreição, quando seu espírito e seu corpo foram reunificados.
É a data mais importante da religião cristã, quando as pessoas vão às igrejas e participam de cerimônias religiosas.
Muitos costumes ligados ao período pascal originam-se dos festivais pagãos da primavera. Outros vêm da celebração do Pessach, ou Passover, a Páscoa judaica. É uma das mais importantes festas do calendário judaico, que é celebrada por 8 dias e comemora o êxodo dos israelitas do Egito durante o reinado do faraó Ramsés II, da escravidão para a liberdade.
Um ritual de passagem, assim como a "passagem" de Cristo, da morte para a vida.
No português, como em muitas outras línguas, a palavra Páscoa origina-se do hebraico Pessach. Os espanhóis chamam a festa de Pascua, os italianos de Pasqua e os franceses de Pâques.
Feliz Páscoa!!
Que a luz de Jesus Ressuscitado ilumine sua vida!

Um Bálsamo Chamado Amizade



"Como as plantas a amizade não deve ser
muito nem pouco regada."
Carlos Drummond de Andrade
Cada amigo alojado no lado esquerdo do peito vale muito. Tanto que a vida perderia o sentido se eles não estivessem por perto, compartilhando alegrias e atenuando tristezas.
O número impressiona: uma rápida busca no Google para o termo amizade rende nada mais que 18 milhões de remissões. Não é para menos: são os amigos que nos dão colo, falam aquelas verdades que temos dificuldade de contar para nós mesmas, fazem parte da nossa história, enfim, estão sempre ao nosso lado, faça chuva, faça sol, muitas vezes desde os primeiros anos de vida. Eles também servem de inspiração para livros, filmes e letras de música -- quem não se lembra do refrão “Eu quero ter um milhão de amigos e bem mais forte poder cantar”, entoado pelo rei Roberto Carlos. Tem ainda o filme O Náufrago (2000). Nele, o personagem interpretado por Tom Hanks só consegue aplacar o desespero provocado pelo isolamento total graças a Wilson, a bola de vôlei transformada em fiel escudeiro.
E olha que o tema não é fruto das necessidades contemporâneas, em que a solidão e o isolamento dão o tom. Na Antiguidade, os filósofos dedicaram um número considerável de reflexões ao assunto, tamanha sua importância na vida cotidiana. O romano Sêneca (4a.C.-65d.C.), por exemplo, mandou um recado a seus contemporâneos inflados pela onipotência: “Nunca a fortuna põe um homem em tal altura que não precise de um amigo”. Ao que acrescenta o psicólogo Antonio Carlos Amador Pereira, autor de O Adolescente em Desenvolvimento (ed.Harbra): “Se pensarmos evolutivamente, a amizade faz parte do instinto de sobrevivência, porque, uma vez agrupado, o homem faz as coisas mais rápido e melhor”.
Antonio Carlos também vê a amizade como uma via de mão dupla. “Se tenho um amigo, isso significa que também sou alguém com disponibilidade para escutar e partilhar as coisas.” Mas, além de acolher, o companheiro deve se sentir à vontade para dizer o que pensa. “É preciso haver espaço na relação para expor seu ponto de vista para o outro”, ele ressalta.
Cercada de apoio, sinceridade e confiança, a engrenagem da amizade embala. É inevitável. No entanto, alguns laços são mais duradouros que outros. Há amigos que a gente fica meses e até anos sem ver e quando reencontra sente que o tempo não passou. Outros, ao contrário, se filiam à nossa vida num determinado período e depois seguem carreira solo. “Amizade é uma questão de sintonia. Mas as pessoas se modificam e acabam perdendo essa conexão. É comum, por exemplo, reencontrar um amigo do colegial e ficar rememorando os tempos de escola. Porém, é evidente que a vida mudou para ambos e que aquela relação ficou no passado”, avalia o psicólogo.
Fonte: Raphaela de Campos Mello e Vivian Goldmann .
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