* Aprender a Ver



"Se deseja ver um arco-íris, precisa antes aprender a gostar da chuva."
Paulo Coelho




Habituar os olhos à calma, à paciência, ao deixar que as coisas se aproximem de nós; aprender a adiar o juízo, a rodear e a abarcar o caso particular a partir de todos os lados .
Este é o primeiro ensino preliminar para o espírito: não reagir imediatamente a um estímulo, mas sim controlar oas instintos que põem obstáculos, que isolam.
Aprender a ver, tal como eu o entendo, e já quase o que o modo afilosófico de falar denomina vontade forte: o essencial nisto é, precisamente, o poder não "querer", o poder diferir a decisão. Toda a não espiritualidade , toda a vulgaridade descansa na incapacidade de opor resistência a um estímulo - tem que se reagir, segue-se todos os impulsos . Em muitos casos esse ter que é doença, decadência, sintoma de esgotamento, - quase tudo o que a rudeza afilosófica designa com o nome de "vívio"é apenas essa incapacidade fisiologica de não reagir.
Uma aplicação prática do ter - parendido a ver: enquanto discente em geral, chegar-se-à a ser lento, desconfiado, teimoso .
Ao estranho, ao novo de qualquer espécie deixar-se-o à aproximar-se com uma tranquilidade hostil, afasta-se dele a mão. O ter abertas todas as portas, o servir abrir a boca perante todo fato pequeno, o estar sempre disposto a meter-se, a lançar-se de um salto para dentro de outros homens e outra coisas, em suma, a famosa "Objetividade" moderna é mau gosto, é algo não aristocrático por exelência.
Friedrick Nietzsche, in"Crepúsculo dos Ídolos"
Fonte:foto(meme.yahoo.com)texto: www. citador.weblog.com.pt/arquivo

* Mensagem da Criança



"A melhor maneira de tornar as crianças boas, é torna-las felizes."
Oscar Wilde
Dizes que sou futuro, não me desampares no presente.
Dizes que sou esperança da paz, não me induzas à guerra.
Dizes que sou a promessa do bem, não me confieis ao mal.
Dizes que sou a luz dos teu olhos, não me abandones às trevas.
Não espero somente o teu pão, dai-me luz e entendimento.
Não desejo tão só a festa do teu carinho, suplico-te amor com que me eduques.
Não te rogo apenas brinquedos, peço-te bons exemplos e boas palavras.
Não sou simples ornamento de teu carinho, sou alguém que te bate à porta em nome de Deus.
Ensina-me o trabalho e a humildade, o devotamento e o perdão.
Compadece-te de mim e orienta-me para o que seja bom e justo.
Corija-me enquanto é tempo, ainda que eu sofra...
Ajuda-me hoje para que amanhã eu não te faça chorar.
Fonte: texto e foto www.magiadasmensagens.com.br

* Palavra proferida não tem volta...


" No Mundo há muitas palavras e poucos ecos."
Johann Goethe
As palavras depois de pronunciadas,
não podem mais ser apagadas,
não podem ser modificadas.
Elas permanecem na lembrança.
Talvez mais na de quem as ouviu,
do que na de quem as pronunciou.
Dizemos o que estamos sentido no momento em que falamos.
E a emoção nem sempre é boa conselheira.
Mas, para quem ouve,cada palavra ouvida,
provocará o surgimento de sentimentos e emoções,
muitas vezes dificeis de serem esquecidos.
Existe em nós a tendência para recordar,
muito mais o que nos magoo do que o que nos trouxe alegria.
Calar, quando a emoção nos impulsionar,
a dizer coisas ásperas, não é sinal de fraqueza,
mas sim de domínio das emoções,
o que só conseguimos quando encontramos,
o nosso equilibrio interior.

* A Escolha


"Aquilo que nós mesmos escolhemos é muito pouco: a vida e a circunstâncias fazem quase tudo."
John Tolkien
Há momentos na vida em que nos sentimos numa encruzilhada e, por mais que desejamos, não conseguimos vislumbrar qual o melhor caminho a seguir, ou a escolha mais acertada.
Permanecemos paralisados, à espera de que um milagre aconteça, ou que alguém nos indique a solução ideal, aquela que nos livrará de qualquer consequência ruim.
É essencial entender que qualquer escolha terá algum preço a ser pago. Muitas vezes, ele é bem suave, mas em outra, será mais elevado. Resta saber se estamos dispostos a paga-lo sem qualquer restrição. Este é, aliáis, o principal atributo da maturidade, escolher o caminho apontado por nosso coração, e se dispor arcar com as consequências sejam elas quais forem .
E de nada adianta querermos transferir para outra pessoa a responsabilidade de nossas decisões, pois elas são individuais e intransferíveis.
Por Elisabeth Cavalcante (foto e texto)

* Não Se Ama Alguém Senão Pelas Qualidades Aparentes


"Não Apreciamos bem nos outros senão as qualidades que julgamos possuir."
Hughes Lamennais


Um homem que se põe à janela para ver quem passa, se eu passar, poderei dizer que ele se pôs lá para me ver? não, pois ele não pensa em mim em particular.
Mas aquele que ama alguém por causa de sua beleza, ama-o? não; porque a varíola, que matará a beleza sem matar a pessoa, fará com que ele deixe de a amar.
E se me adiam pelo meu juízo, pela minha memória, amam-me, a mim?
Não; porque eu posso perder essas qualidades sem me perder a mim mesmo.
Onde está pois esse eu, se não está nem no corpo, nem na alma? e como amar o corpo ou a alma, senão por essas qualidades que não são o que faz o eu, visto que pode perecer? pois amar-se-a á substância da alma de uma pessoa abstratamente e as qualidades que lá estiverem? isso não pode ser e seria injusto.
Logo não se ama nunca a pessoa, mas somente as qualidades. Portanto, que não se riam mas daqueles que se fazem honrar pelos cargos e ofícios, pois não se ama ninguém senão pelas qualidades aparentes.
Blaise Pascal, in "Pensamentos" (http://citador/ weblog. com.pt)

*Um Homem Precisa Viajar

"Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados."
Miguel Cervantes
"Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou Tv.
Precisa viajar por si. Com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar
as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto.
Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa via-
jar para lugares que não conhece para quebar essa arrogância que nos faz ver o mundo como
o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores
do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver"
Amyr Klink do livro Cem Dias entre o Céu e o Mar.
Acredito que essas viagens possibilitem dar mais valor as coisas e as pessoas, a se sentir bem consigo mesmo, a refletir profundamente, a dominar o medo pela razão e a ver belezas incomparáveis.

* O Risco do Conselho



"Ele só adianta quando não contraria o desejo de quem é aconselhado(...)A fantasia resiste aos argumentos e só se transforma quando o próprio sujeito descobre a sua origem"

Betty Milan psicanalista e escritora

Diz o provérbio que, se conselho adiantasse, a gente venderia em vez de dar. Conselho só adianta quando não contraria o desejo de quem é aconselhado. Por isso, no Consultório Sentimental de Veja.com, eu me abstenho de dar conselhos. Limito-me a dar dicas.
O melhor exemplo da ineficácia do conselho está no livro de Cervantes. Tendo como ofício andar pelo mundo combatendo o mal, Dom Quixote o encontra aonde quer que vá. Embora Sancho Pança se valha de argumentos fundados na realidade para convencer o amo de que o mal é imaginário, o fiel escudeiro nada consegue.
Um exemplo disso é o célebre episódio em que, pelo fato de só imaginar batalhas e desafios, o Quixote toma um rebanho de ovelhas por um "copiosíssimo esquadrão". Quando Sancho lhe diz que se trata de uma ilusão, ele exclama: "Pois então não ouves o relinchar dos cavalos, o tocar dos clarins, o rufar dos tambores?". E avança de lança em riste sem dar atenção ao conselho do escudeiro: "Volte, vosmecê... Juro por Deus que são carneiros e ovelhas o que vai atacar".
Nem morto, ou quase morto pelas pedras que os pastores atiram, o Quixote desiste de acreditar que lutou contra um esquadrão inimigo. Alega que, por invejar a sua glória, o Maligno o persegue, faz aparecer e desaparecer as coisas, transformando até um exército num rebanho.
O Quixote é louco, claro, porque não leva em conta a realidade, mas não é por acaso que nós nos reconhecemos nele. Assim é porque privilegiamos o nosso imaginário. Também nós ouvimos sem escutar e enxergamos sem ver para impedir que o nosso desejo seja contrariado.
Segundo Freud, não é possível acabar com uma fantasia mostrando que a realidade é contrária a ela. A fantasia resiste aos argumentos e só se transforma quando o próprio sujeito descobre a sua origem. Daí a razão pela qual a cura analítica se apoia na rememoração. O analista que se vale da realidade para convencer o analisando a abrir mão do que imagina é quixotesco no mau sentido.
Só é possível agir sobre o desejo fazendo outro desejo emergir. Isso é o que faz o analista se o analisando, ao contrário do Quixote, for capaz de escutar. E, mais ainda, se ele for capaz de se escutar. Como isso raramente acontece no começo de uma análise, ambos têm de saber esperar.
Postado por conteudo livre

Fonte: Foto e texto Betty Milan psicanalista e escritora.

Assina a coluna Consultória Sentimental em Veja .com (26 de Maio 2010 pág 159).

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