
* Palavra proferida não tem volta...

* A Escolha

* Não Se Ama Alguém Senão Pelas Qualidades Aparentes

Um homem que se põe à janela para ver quem passa, se eu passar, poderei dizer que ele se pôs lá para me ver? não, pois ele não pensa em mim em particular.
Mas aquele que ama alguém por causa de sua beleza, ama-o? não; porque a varíola, que matará a beleza sem matar a pessoa, fará com que ele deixe de a amar.
E se me adiam pelo meu juízo, pela minha memória, amam-me, a mim?
Não; porque eu posso perder essas qualidades sem me perder a mim mesmo.
Onde está pois esse eu, se não está nem no corpo, nem na alma? e como amar o corpo ou a alma, senão por essas qualidades que não são o que faz o eu, visto que pode perecer? pois amar-se-a á substância da alma de uma pessoa abstratamente e as qualidades que lá estiverem? isso não pode ser e seria injusto.
Logo não se ama nunca a pessoa, mas somente as qualidades. Portanto, que não se riam mas daqueles que se fazem honrar pelos cargos e ofícios, pois não se ama ninguém senão pelas qualidades aparentes.
Blaise Pascal, in "Pensamentos" (http://citador/ weblog. com.pt)
*Um Homem Precisa Viajar
Miguel Cervantes
* O Risco do Conselho

"Ele só adianta quando não contraria o desejo de quem é aconselhado(...)A fantasia resiste aos argumentos e só se transforma quando o próprio sujeito descobre a sua origem"
Betty Milan psicanalista e escritora
Diz o provérbio que, se conselho adiantasse, a gente venderia em vez de dar. Conselho só adianta quando não contraria o desejo de quem é aconselhado. Por isso, no Consultório Sentimental de Veja.com, eu me abstenho de dar conselhos. Limito-me a dar dicas.
O melhor exemplo da ineficácia do conselho está no livro de Cervantes. Tendo como ofício andar pelo mundo combatendo o mal, Dom Quixote o encontra aonde quer que vá. Embora Sancho Pança se valha de argumentos fundados na realidade para convencer o amo de que o mal é imaginário, o fiel escudeiro nada consegue.
Um exemplo disso é o célebre episódio em que, pelo fato de só imaginar batalhas e desafios, o Quixote toma um rebanho de ovelhas por um "copiosíssimo esquadrão". Quando Sancho lhe diz que se trata de uma ilusão, ele exclama: "Pois então não ouves o relinchar dos cavalos, o tocar dos clarins, o rufar dos tambores?". E avança de lança em riste sem dar atenção ao conselho do escudeiro: "Volte, vosmecê... Juro por Deus que são carneiros e ovelhas o que vai atacar".
Nem morto, ou quase morto pelas pedras que os pastores atiram, o Quixote desiste de acreditar que lutou contra um esquadrão inimigo. Alega que, por invejar a sua glória, o Maligno o persegue, faz aparecer e desaparecer as coisas, transformando até um exército num rebanho.
O Quixote é louco, claro, porque não leva em conta a realidade, mas não é por acaso que nós nos reconhecemos nele. Assim é porque privilegiamos o nosso imaginário. Também nós ouvimos sem escutar e enxergamos sem ver para impedir que o nosso desejo seja contrariado.
Segundo Freud, não é possível acabar com uma fantasia mostrando que a realidade é contrária a ela. A fantasia resiste aos argumentos e só se transforma quando o próprio sujeito descobre a sua origem. Daí a razão pela qual a cura analítica se apoia na rememoração. O analista que se vale da realidade para convencer o analisando a abrir mão do que imagina é quixotesco no mau sentido.
Só é possível agir sobre o desejo fazendo outro desejo emergir. Isso é o que faz o analista se o analisando, ao contrário do Quixote, for capaz de escutar. E, mais ainda, se ele for capaz de se escutar. Como isso raramente acontece no começo de uma análise, ambos têm de saber esperar.
Postado por conteudo livre
Fonte: Foto e texto Betty Milan psicanalista e escritora.
Assina a coluna Consultória Sentimental em Veja .com (26 de Maio 2010 pág 159).
http://sergyovitro.blogspot.com/2010/05/betty-milan-o-risco-do-conselho.html
*Papo de Anjo

Anjos estão na moda e não é de hoje. A nova cultura pop celestial talvez tenha se disseminado por causa das inseguranças que o mundo moderno nos impõe, da necessidade de consolo em meio ao caos contemporâneo, da internet com seus milhares de links para voce descubrir e orar ara seu anjo ou, quem sabe,simplesmente porque eles são verdadeiros beldades. Não me refiro aos bebês rechonchudos de pequenas asas e harpas. Falo das figuras que foram pintadaspor Paolo veronese, Filippino Lippi, Sandro Botticelli e Leonardo da Vinci: adolescentes andrógenos de cabelos claros, olhos azuis, pele de pêssego,vestidos brancos e longas asas eretas ou em repouso. há descobertas curiosas que reforçam a noção de que os ajnos podem reunir naturezas antagônicas. Até a época das cruzadas, nos séculos 11 e 12, eles eram chamados de daimones pelos gregos. A Igreja, temersa de que os fiéis confundissem as palavras , já que daimones, além de significar "gênio"ou "ser sobrenatural ".Também estava relacionada a demônos (e a gnomos,duendos, silfos, salamandras,fadas), tratou de dar sumiço em Todos os escritos que relacionavam os anjos a essa expressão .
Por Paula Taitelbaum
Fonte: texto :Revista Claudia, Dezembro 2009 pág 217
foto> Gogle.com .br
* Enigmas do Bocejo

"Um Bocejo é um grito silencioso"
Gilbert Keith Chesterton
Primal, irreprimível e contagiante, o gesto revela a base evolutiva e neural da empatia e do comportamento inconsciente. Aliás, tente ler sem bocejar.
Imagine um bocejo. Você alonga os maxilares, abrindo os lábios escancaradamente, toma fôlego profundo seguido por uma expiração mais curta e termina fechando a boca: ahhh... Você acaba de se juntar aos vertebrados do mundo inteiro num dos rituais mais antigos do reino animal.Os mamíferos e a maioria dos outros vertebrados bocejam: peixes, tartarugas, crocodilos e pássaros. As pessoas começam a bocejar bem cedo - uma evidência de antigas origens. Também chamado de oscitação ou boquejo, o bocejo aparece no fim do primeiro trimestre do desenvolvimento humano pré-natal e é evidente em recém-nascidos. Trata-se de tema de grande riqueza para interessados nos mecanismos neurais do comportamento, já que sua natureza simples e sem variação permite uma descrição rigorosa, primeiro passo para a investigação de mecanismos neurais. Essa aplicação do enfoque de "sistemas simples" diz respeito aos seres humanos que se ocupam de suas atividades normais; não há necessidade de usar bactérias, moscas-das-frutas ou nematóides nas pesquisas. Pode-se aprender muito experimentando em si mesmo e observando o colega Homo sapiens.A esta altura, é possível que o leitor já sinta uma das propriedades mais incríveis do bocejo: seu contágio (ver "Reflexo revelador," Mente&Cérebro, edição 161). A simples leitura ou o pensamento sobre o bocejo pode ser o vetor de uma resposta contagiante. A propagação permite explorar as raízes neurológicas do comportamento social, compreender e estudar expressões faciais, empatia, imitação e a possível patologia dos processos no autismo, esquizofrenia e lesão cerebral.
por Robert R. Provine
Fonte : texto http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/enigmas_do_bocejo.html
